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Raymundo Mônaco: 257 anos "Como aldeia virou cidade"

Escrito por: Raymundo Mônaco - Geral - 29 de Setembro de 2015

Vila de Abrantes

 

Ao ensejo das comemorações pela passagem dos 257 anos de Camaçari, não poderíamos hesitar deixando de relacionar tópicos da história do nosso inusitado município, fixando a trajetória e as etapas sucessivas, no intuito de transmitir mais uma vez informações que, por certo, servirão de deleite para os cidadãos e cidadãs, interessados em conhecer as nuances de como Camaçari alcançou o contexto histórico e lugar de destaque no cenário municipalístico brasileiro.

Fatos históricos, quando verdadeiros e rememorados, nos faz retornar ao passado, como no caso do município de Camaçari que teve origem, segundo os arquivos históricos, em uma aldeia Tupinambá que ficava às margens do Rio Joanes, onde se instalaram em 1558 os jesuítas João Gonçalves e Antônio Rodrigues, que aqui chegaram trazidos por Tomé de Souza, primeiro Governador Geral do Brasil.

O local recebeu o nome de Aldeia do Divino Espírito Santo (1549) onde foi construída a primeira igreja católica feita de troncos de árvores e palhas (século XX), juntamente, com um convento, marco do primeiro trabalho jesuítico no Brasil (Cavalcante Silva. 1972).

Durante a invasão holandesa (1624), na Aldeia do Divino Espírito Santo funcionou a sede do governo brasileiro, com destacado papel comandado pelo Centro da Colônia e Quartel General da Resistência que, em sua primeira investida aprisionou o governador da província.

A Aldeia do Divino Espírito Santo, após duzentos anos, foi elevada à categoria de Vila (1758), regulamentada através de decreto de elevação, passando a denominar-se “Vila Nova do Divino Espírito Santo de Abrantes”. A oficialização foi proclamada em 08 de outubro do mesmo ano, quando foi implantada, através de “Ato Real”, a Casa da Câmara e Cadeia ou Senado (hoje Câmara dos Vereadores) e Pelourinho.

Teve a Vila do Divino Espírito Santo (1823), comandada pela Casa da Torre, relevante papel no processo de Independência do Brasil e da Bahia, inclusive expulsando os portugueses.

O Presidente da Província da Bahia Francisco José Souza Andréia (1846), através de Resolução determinou a extinção do município de Abrantes, integrando o seu território à Mata de São João, criado pela mesma Resolução. Dois anos depois, em 1848 foi recriado com o nome anterior. 

TRANSFORMAÇÕES

Ao final do século XIX foi implantada a malha ferroviária ligando Salvador a Aracaju, passando pela Estação Nossa Senhora do Carmo, em Parafuso, e por um novo povoado chamado Camaçari, localizado no município. Com isso a Vila de Abrantes foi perdendo a importância econômica e política, motivando a transferência da sede municipal para o crescente Arraial de Parafuso, não durando muito tempo. A sede do município retornou à Abrantes (1892) através de Lei, porém, a condição de sede não mais foi suficiente para retornar a Vila ao status de sede do município.

 

Antiga linha férrea, na Avenida Eixo Urbano Central

Com a ferrovia, o desenvolvimento ganhou prestígio na região, a ponto do governador Francisco Góes Calmon assinar decreto estadual mudando a sede de Abrantes para Camaçari, elevando à condição de Vila. O mesmo “Régio Decreto” estabeleceu que o município passasse a chamar-se Montenegro em homenagem ao Desembargador Tomaz Garcez Paranhos Montenegro dono das terras.

Camaçari se chamou Município de Montenegro até 30 de março de 1938 quando a Lei nº 10.724 que disciplinou a divisão territorial do Estado restituiu o nome Camaçari, ampliando a circunscrição.

Além da sede, todo o município manteve os nomes de outras localidades conhecidas como Feira Velha (Dias D’Ávila), Vila de Abrantes, Arraial de Parafuso e Monte Gordo, lembrando que  a denominação atual “Camaçari”, tem hoje 77 anos  de existência.

Dias D’Ávila passou a ter este nome em 1929, quando tornou-se Distrito de Camaçari  em  30 de dezembro de 1953 (Lei Estadual nº 628 ) emancipando-se  em 1985  passando a categoria de munícipio.

O atual Distrito de Monte Gordo era conhecido como Monte do Gado Gordo, sempre lembrado por suas tradições, concentrava fazendas de gado e grandes pastagens na área de onde saía boa parte da carne de boi consumida no estado. Com o passar dos anos, a economia foi definhando, os engenhos de açúcar desativados foram substituídos pela cultura do coco, produção do carvão vegetal cuja exploração foi responsável pela degradação de parte da Mata Atlântica.

A estrutura comercial de Camaçari nesse período ainda era precária, existiam apenas pequenos estabelecimentos que comercializavam gêneros alimentícios.  A pesca predominava no litoral, mas, o peixe não chegava a Camaçari, não tínhamos estradas, e o transporte de pessoas e mercadorias era feito por barcos (saveiros) da Orla para Salvador.

Nesse diapasão, Camaçari chegou à quase metade da sua existência como uma cidade pacata e acolhedora. Seus habitantes viviam, unicamente, daquilo que produziam, contentados com o convívio dos veranistas que para aqui se deslocavam em busca da tranquilidade, da paz, da exuberância da natureza e do poder curativo de suas águas, consideradas medicinais. 

Ao final da década de 50 o Presidente Juscelino Kubitschek criou um grupo de trabalho para desenvolvimento do nordeste, e elaborou o primeiro Plano Diretor do Estado da Bahia, escolhendo Camaçari como o lugar ideal para a instalação de um complexo petroquímico, surgiu dessa forma o projeto do Polo Petroquímico de Camaçari.

Os fatos mais importantes que incidiram na economia de Camaçari à época, causando impacto na vida do munícipio foram a construção de estradas para a orla, e a vinda do Polo que, sobremaneira, com o progresso e desenvolvimento, contribuíram para a implantação deste suntuoso parque industrial.
     
Na década de 60, Camaçari passou a receber um grande contingente de trabalhadores, que vinham de todos os lugares do país em busca de melhores dias, haja vistas, a grande necessidade de mão de obra, situação repartida com os antigos moradores, condicionados a trabalhar e conviver em uma cidade sem infraestrutura e com sérios problemas para acolhimento de imigrantes; sequer hotéis ou pensões existiam.

Outros fatores passaram a fazer parte do cotidiano misturando culturas e criando uma nova história, marcada pelos conflitos diários. Nas últimas décadas Camaçari continuou crescendo, trazendo mais conforto e melhorias à população, em contrapartida a nova visão política trouxe problemas e novos desafios, assim é a Camaçari de hoje.

Em mais um ano de existência temos pouco a comemorar, contudo, continuaremos à procura da fórmula para se chegar a uma cidade mais justa, mais humana, não só para os seus filhos que aqui vivem, mas, também para os que aqui chegam e permanecem, escolhendo  Camaçari como a sua terra natal.

Feliz aniversário Camaçari, 257 anos de trajetória.

Um grande abraço!

jrsmonaco@hotmail.com    

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