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Mônaco escreve: “CAMAÇARI. A ETERNA ESCOLA POLÍTICA”

Escrito por: Raymundo Mônaco - Geral - 31 de Março de 2016


CRÔNICAS DA CIDADE
2016.75 – ANO V

  

                       J.R. MÔNACO
            Bacharel em Direito. Consultor
político. Testemunha  ocular da
    história.

“A  politica é a ciência que tem por objetivo

a felicidade humana  divide-se em ética e em
politica propriamente dita  e deve  se preocupar
   
com a felicidade humana”.   Aristóteles.


“CAMAÇARI. A ETERNA ESCOLA POLÍTICA”


Políticos da velha guarda afirmam que  o município de Camaçari desde a sua emancipação vive uma inusitada história política motivada por fatos e atos que marcaram momentos inesquecíveis ligados ao exercício político, difíceis de esquecer, prova incontestável de que Camaçari foi e sempre será uma eterna escola política.

Em 1945 ao findar-se a ditadura de Getúlio Vargas, período de recessão, surgia um novo regime democrático, acompanhava o processo a reorganização de partidos políticos, preparação de candidatos a presidente  da República  com eleições gerais  marcadas para  dezembro de 1947  para governadores, prefeitos e vereadores.

Camaçari apesar de está consolidada como município desde 1935 sob a  influencia política do Desembargador Montenegro, (não  existia Câmara Municipal) era administrado pela figura do  intendente (espécie de prefeito nomeado) que em função do natural desenvolvimento ganhou a sua emancipação  passando a ter direito ao exercício do voto, instrumento de definição de uma  vida melhor sonhada  pelos cidadãos  e cidadãs  do município.

INFLUENTES

O ex-intendente João Osvaldo de Araújo conhecido como “Joãozinho Araújo”, destacado líder,  dono de barcos de pesca lançou a sua candidatura a prefeito tocou  a campanha elegendo-se primeiro  prefeito pelo voto popular. Habilidoso, articulador, tomou posse  em 20  março de 1948 amparado pela abertura democrática que se iniciava.

Na política daquela época eram destaques Mario Fernandes, Estevam Fagundes, Aurino Malaquias de Souza, Manoel Florêncio Tavares, Ilda Leal Ulm, Antonio Pio, Capitão José Martins, Hermógenes Souza, José Evaristo, o próprio prefeito  João Araújo e outros  não menos famosos, precursores da virtual  escola politica de Camaçari.

João Araújo de acordo com anotações históricas e por questões até hoje pouco esclarecidas, suicidou-se no trágico dia 7 de outubro de 1950, a sua vaga foi ocupada por Antonio Pio dos Santos escolhido pela Câmara através de voto secreto  cujo mandato durou até abril de 1951.

 

RAPOSAS DA POLITICA

Logo após, iniciou-se o período de revezamento continuísmo protagonizado por Hermógenes Bispo de Souza e José Evaristo “O Zequinha” por dezesseis anos prefeitos alternando  mandatos a cada quatro anos  passando a bola de um para o outro.

Considerados raposas da politica, mas com poucos recursos nada fizeram pelo município. A administração desses prefeitos era regida pelo tradicional, paternalismo pelo clientelismo  e o  conhecido  assistencialismo, assim, os favores pessoais tornavam os eleitores  cativos e eternos  dependentes  do favoritismo. A situação da prefeitura era até então  de quebradeira.

Na escola politica da vida se aprende de tudo; não poderia desta forma faltar no contexto  as  conspirações, renúncias, traições, cassações, calunias, decepções, luta pelo poder, tempero obrigatório desde os velhos tempos.

O REGIME MILITAR E O NOVO CICLO POLÍTICO

Passado o tempo  ficou gravado na lembrança  de muitos a época em que vivíamos sob o “Regime  Militar”, o exercício da politica bloqueado, as medidas rígidas modificaram o comportamento  da cidade ainda  em crescimento,  (não tínhamos o Polo  Petroquímico)  tudo era atraso, sequer tínhamos uma praça publica, animais pastavam livremente pelas ruas do centro.

Nesse interim, a Câmara fechou as portas, aos poucos os direitos civis dos cidadãos foram abolidos, dependia-se de ordens do governo militar para o funcionamento,  tudo em nome da revolução e da segurança nacional, a Câmara Municipal  sem autoridade  aguardava autorização  do Governo Militar pra voltar a funcionar, a pauta das reuniões era censurada.

Em 1966 o Ten. Luiz Pereira Costa elegeu-se prefeito de Camaçari, iniciando um novo ciclo politico, despontaram novos  nomes como o de Luiz do DERBA, Ortiz Coelho Pinto, Francisco Cardoso, Manoel Mercês, Joãosito Figueiredo e outros. Luis Pereira impulsionou o município dando partida a um novo tempo de realizações; prestigiou os vereadores e com isso o transito político  ficou mais livre devolvendo  ao vereador as prerrogativas  do mandato. 

Inesperadamente, ao se encerrar a gestão do Prefeito José Vitorino em 1973, o Governo Federal anunciou a criação das “Áreas de Segurança Nacional”, os prefeitos ao invés de eleitos  passaram a ser nomeados, extintos  os partidos políticos criou-se dois novos partidos  a ARENA  (Governo Militar) e o MDB, hoje PMDB (Oposição).

O  FIM DA AREA  DE SEGURANÇA NACIONAL

O primeiro prefeito de área de segurança nacional em Camaçari nomeado Antonio Andrade passou dois anos e nada fez, nada realizou; embora matriculado  na escola politica pouco aprendeu substituído por Humberto Ellery nunca mais apareceu.

Esses dois prefeitos passaram treze anos administrando Camaçari na qualidade de prefeitos nomeados,  a principio por serem indicados pelo regime militar supunha-se não ter obrigações com o povo. A Câmara era figura decorativa servia apenas para aprovar projetos e referendar documentos.

Em maio de l985 por força de Emenda Constitucional nº 25 foram reestabelecidas as eleições  diretas para prefeito incluindo o vice-prefeito. Nas cidades até então consideradas área de segurança nacional abrangendo exigências  para reintegração ou criação de partidos políticos de esquerda  e partidos como PCdoB e PCB  entre outros que se  tornaram legais.

A  JORNADA  DOS PREFEITOS 

Por ironia do destino, nesta escola se matriculou Luiz Caetano, descobriu Camaçari “a mina de ouro” local certo para se aprender politica. Formado em Farmácia pela UFBA, aqui aportou  e nunca mais saiu. Elegeu-se vereador em 1982, Presidente da UPB, prefeito três vezes, deputado estadual; no aprendizado ganhou três eleições em quatro anos; hoje  ocupa uma das cadeiras na Câmara Federal. Vereador, deputado Estadual e prefeito (2001/2004).

Luis Caetano abraçou o populismo (causas populares) promoveu protestos, concentrações e manifestações. Fez sucesso como desafeto da administração do então Prefeito Ellery; ações como a invasão das Glebas Residenciais B e E  marcaram o inicio das ações políticas.

Após um longo período sem mandato, mesmo de bolso vazio conseguiu sobreviver utilizando o discurso como instrumento de uma  nova cartilha politica.

A eleição de Tude em 1988 devolveu ao povo  de Camaçari parte da sua auto estima. Adotando um novo estilo de governar “O careca” como é conhecido, aprendeu na escola politica de Camaçari, o suficiente para se eleger três vezes prefeito, foi deputado federal, deputado estadual, Presidente da UPB complementado com a escolha pelo Governo Estadual para presidir a CONDER.

O aprendizado popular diz que “sabedoria de mais vira bicho e engoliu o dono”; catedráticos  da politica como Ellery, Caetano e  Tude não conseguiram o entendimento necessário  para eleger seus substitutos, no caso,os candidatos Françú, Luiza Maia e Mauricio Bacelar e  os vices  prefeitos Marambaia, Odilon, Gilberto D’Errico  e  Teresa Giffoni que   desapontados cancelaram a matrícula na escola politica.

Por fim, matriculada está a advogada Jailce Andrade que provavelmente será anunciada como candidata  do  prefeito  Ademar Delgado substituta no próximo mandato. O prefeito aposta na virada de mesa em mais uma demonstração inequívoca de que a coragem  pode ganhar eleições. Quem viver, verá.

Um sem número de  histórias  politicas sobre a nossa cidade podem ser  traduzidos em relatórios e crônicas  mostrando em detalhes a bela pagina cultural e politica  da  legendaria Camaçari;, incluindo-se fatos que todos deviam conhecer, principalmente aqueles indispensáveis  aos assentamentos históricos desta   discutida  cidade.

Não esquecer que a “politica é uma faculdade da qual você nunca se forma, ao contrario  estará  sempre aprendendo”.

Um abraço!Até a próxima.

J. R. Mônaco
jrsmonaco@hotmail.com

 

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