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Eleições 1988: Mônaco compara as memórias de Camaçari

Escrito por: Raymundo Mônaco - Geral - 26 de Abril de 2017

CRÔNICAS DA CIDADE
81/2017 – Ano V


                                                                                                  J. R. MÔNACO
Bacharel   em Direito. Consultor político.
                                                                                                 Testemunha ocular da história.


“O gostoso da política é sem dúvidas
a conspiração”.
RaulinoQueiroz


“CAMAÇARI”
  ELEIÇÃO  DE 1988.  MEMÓRIAS COMPARADAS.

As pessoas sabem que uma das formas de conservar a paz interior é certamente esquecer os momentos tristes, amargos, e, olhar pra frente  na esperança de dias melhores. Quem consegue isso alcança a serenidade suficiente e por certo seguirá aprazíveis caminhos da vida. Não permita nem   entre em contradições, mas, sempre que possível se reporte a episódios políticos retratando fatos que sem dúvidas testemunharão acontecimentos que marcaram momentos cruciantes em nossa vida política e social.  (J. Calmon).


O RENASCIMENTO


Rememorando. Ao findar-se o Regime de Áreade Segurança Nacional em abril de 1985, os municípios voltaram a exercer a sua autonomia política escolhendo novamente seus alcaides pelo voto popular encerrando o ciclo de prefeitos nomeados. As atividades políticas tomaram um novo destino. Pontos de vistas, “bate bocas”, acirravam-se os ânimos, tudo em busca da cobiçada cadeira de prefeito.
 

Fechado o cerco, começavam manifestações com vistas às eleições para prefeito (1985), convenções partidárias, Françú garfado por Luíz Caetano na Convenção do PMDB realizada no Colégio Denise Tavares, fichas dos convencionais sumiram pelo vaso sanitário, confusão geral, filiação do grupo de Assemany ao PDT,  a confiança do ex-governador Leonel Brizola, lembranças das irreverentes colocações do saudoso vereador Osvaldo Nogueira.
 

Neste ano houve uma profunda reviravolta na política de Camaçari. A união PMDB, PcdoB, coadjuvados pelo PT comandado pelos ex- vereadores Luiz Caetano, Luiza Maia, Clemente Dantas, Odilon Montenegro, D. Maria Lígia de Souza e outras lideranças formaram ferrenha frente de oposição, cuja bandeira maior era derrotar o prefeito Humberto Ellery no poder há onze anos.
 

OS DIAS TENEBROSOS
 

Como não poderia ser diferente, o prefeito Ellery passava dia e noite bombardeado pelos opositores   que combatiam o seu mandato biônico com o apoio de segmentos da população, dias tenebrosos da política, inesquecíveis à quem passou por eles. Apoiavam o movimento Luís Nova (Deputado Estadual) e Haroldo Lima (Deputado Federal) ambos do PcdoB. Mandavam e desmandavam sob a tutela do governo Waldir Pires.
O prefeito Ellery por sua vez resolveu entrar para valer na eleição lançando o nome de José Tude superintendente da DECASA como candidato a prefeito.  Considerado como candidato chapa branca, pouco conhecido da população, teve o Tude boa performance, mas, não deu pra ganhar. Perdeu para a dupla Luíz Caetano / Marambaia tomando posse em 1º de Janeiro de 1986   no Auditório Magalhães Neto sob o entoar da conhecida música “Onde está o dinheiro, o gato comeu, o gato comeu e ninguém viu”.


Os três anos iniciais de administração Luíz Caetano(1986/1988) foram terríveis. A cidade quebrada financeiramente piorou, entregue ao abandono foi palco de muitas confusões dentre elas a prisão do Presidente da Câmara o médico José Ellis de Oliveira Rocha,   preso numa autentica armação política de bastidores; orquestrada pelo Prefeito e sob os auspícios do Juiz de plantão.
 

Em represália aos vereadores do bloco contrário, Caetano não repassava o dinheiro da Câmara deixando os vereadores dez meses sem salários, mas, pagava por fora aos vereadores do lado dele. Tude ao assumir pagou os salários atrasados, acertou as contas deixando a turma  em condições de pagar as dívidas.
 

OS FATOSRELEVANTES


Fatos e conflitos políticos contribuíram para o surgimento da era TUDE   que não conseguindo se eleger iniciou uma nova campanha tocou o barco pra frente sob a égide de -“Vamos tirar Camaçari do Vermelho” - significado dúbio que retratava Camaçari mergulhado no caos financeiro e submisso aos aprendizes do socialismo.
 

Nesse período de confrontos políticos, quase diários, o Tude já filiado a outro partido (PTB)  encontrou a fórmula, unindo as correntes de oposição conquistando progressivamente o apoio de lideranças,  vereadores, partidos   políticos, professores, feirantes vindo mais tarde   a contar com o apoio de Isac Marambaia vice prefeito de Caetano e o apoio definitivo do PDT de Françú.
 

Francisco Assemany teria sido o candidato a vice prefeito de Tude, nas eleições (1988). Conchavos, no entanto, entre o presidente estadual do PDT Elquisson Soarese o prefeito Luíz Caetano impediram a consolidação da chapa.
Temporariamente a candidatura de Tude foi cassada pelo Juiz Clésio Rosa. Número de filiados do PSC não alcançou o quórum. Opartido era   presidido por Odilon Montenegro escolhido como vice – prefeito. Doutor Clésio ensinava aos políticos a arte de conspirar, exercia grande influência sobre prefeitos e vereadores.

 

O   APOIO CONTUNDENTE


Participar da campanha política de 1988 era preciso ter cabelo no coração. Conflitos surgiam a cada instante, ameaças, apreensão, agressões, Jornada cansativa, comícios diários. O apoio do COFIC (empresários do Polo) foi fundamental.
 

A influência de Antonio Carlos Magalhães então Ministro das Comunicações, Waldeck Ornelas DeputadoFederal (1986), Adary Oliveira, Luís Clovis Vilas-Boas (COFIC)  e o Tenente Acioly hoje Coronel, tido como pacificador  prestaram considerável contribuição para a mudança dos rumos de Camaçari.


Somos até hoje gratos àquela geração que soube   votar com “A vontade do povo” confirmando o soberano direito do voto. Muito teríamos a acrescentar sobre as eleições de 1988. Homenagem póstuma aos correligionários Tibel, Marambaia, Pedro Artesão, Zé Ellis, Epitácio Mamede, Pasta Pura, Valdelice do Batuque e outros que ainda permanecem entre nós, testemunhas da perseverança e do esforço para administrar restituindo Camaçari à sua plenitude, progresso e   estabilidade desejada por todos. 
 

Não esquecer que sobrevivemos por quase trinta anos com a alternância do “perde e ganha” da política, com elementos de caráter oscilante.  Muitos cumpriram seu papel outros não, contudo as esperanças se renovarão e Camaçari mais uma vez vencerá.  
 

Um grande abraço e pra frente Camaçari.
 

J. R. Mônaco
[email protected]
.

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