Bem vindo, Camaçari, 18 de Novembro de 2018

Endometriose: o que é, suas causas, sintomas e tratamentos

Escrito por: Pesquisa Web - Ciência e Saúde - 17 de Agosto de 2018

A endometriose é um problema relativamente comum entre as mulheres. Ela se manifesta logo após a primeira menstruação, mas normalmente é diagnosticada na idade adulta, entre 20 e 30 anos, e pode afetar a fertilidade feminina. Por isso, ao tentar engravidar sem sucesso, muitas vezes a mulher passa a investigar e descobre a doença. Cerca de 50% das mulheres com endometriose têm infertilidade.

A ginecologista e obstetra Kelly Alessandra Tavares explica que essa é uma doença crônica em que o endométrio (camada que reveste o útero internamente e que é eliminada na menstruação) se adere em outra localização. “Os locais mais comuns de acometimento da doença são: região retrocervical, peritônio, tubas uterinas, ligamentos útero sacros, ovários, intestino e bexiga.”

Tipos de endometriose
A endometriose pode ser classificada em 5 tipos, e essa classificação é feita baseada em um somatório de pontos que o médico deverá fazer. De maneira geral, Kelly explica que a endometriose pode ser superficial ou profunda. Na superficial, as lesões são pequenas e não provocam alterações anatômicas nos órgãos da região pélvica. Já se acometer mais de 5 mm de algum órgão e provocar deformidades destes órgãos, é considerada profunda.

• Endometriose superficial: costuma atingir o peritônio, que é um tecido que envolve os órgãos da cavidade abdominal e pélvica.

• Endometriose ovariana: é aquela que atinge os ovários, geralmente causada pela formação de cistos.

• Endometriose profunda: ocorre quando os focos da doença atingem a parede de um órgão com mais de 5mm de tamanho. Dependendo da gravidade, pode ser necessária cirurgia imediata.

• Endometriose de parede: atinge a parede abdominal, formando nódulos que costumam causar mais incômodos no período menstrual.

• Endometriose pulmonar: é um tipo raro em que o tecido endometrial atinge a região pulmonar por meio da corrente sanguínea.

Causas
As causas da endometriose ainda não são totalmente esclarecidas. Os motivos pelos quais as células endometriais crescem fora do útero são uma incógnita. Segundo Kelly, existem várias teorias que poderiam explicar as causas da endometriose: fatores genéticos, fatores hormonais, disseminação de células pelo sistema linfático, resquícios de células embrionárias, entre outras. “A teoria mais aceita é a da menstruação retrógrada. Nesta situação, o sangue que reflui através das trompas uterinas durante a menstruação se implanta nas localizações mencionadas”, fala.

Menstruação retrógrada: ocorre quando o sangue da menstruação sofre um refluxo para a cavidade pélvica através das trompas. Essas células do endométrio se instalam nas paredes dos órgãos da região pélvica e começam a crescer. 

Crescimento de células embrionárias: algumas células que revestem o abdômen e as cavidades pélvicas podem se converter em tecido endometrial, iniciando a doença.

Sistema imunológico deficiente: deficiências no sistema imunológico podem tornar o corpo incapaz de reconhecer e destruir as células endometriais que crescem no lugar errado.

Sintomas
Os sintomas da endometriose podem variar conforme a região afetada. A dor no local, geralmente dor pélvica, é um dos primeiros sintomas a se manifestar.

Kelly cita os sintomas mais comuns: cólica menstrual intensa, progressiva e incapacitante, dor durante o ato sexual e infertilidade. “Algumas mulheres apresentam também alterações urinárias (dor ao urinar durante a menstruação) e alterações intestinais (dor ao evacuar, muco ou sangue nas fezes durante a menstruação).”

Confira os sintomas mais frequentes:
• Infertilidade
• Fadiga
• Diarreia
• Dores nas relações sexuais
• Dores no período menstrual
• Dor ao urinar ou evacuar
• Dor no baixo abdômen ou cólicas que podem ocorrer por uma semana ou duas antes da menstruação de forma cíclica.

Diagnóstico da endometriose
Procure um médico ao sentir os primeiros sintomas da endometriose. Dores intensas no período menstrual não são normais.

Kelly salienta que o ginecologista deve ficar atento às queixas apresentadas pela paciente e deve suspeitar do diagnóstico pela história clínica apresentada. A confirmação do diagnóstico poderá ser feita por meio da ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal ou ressonância magnética de pelve.

Tratamento
Existem dois tipos de tratamentos para a endometriose: clínico ou cirúrgico. O médico irá indicar o mais adequado conforme a idade da paciente, a gravidade da doença e o seu desejo ou não de engravidar.

Medicamentos
No tratamento clínico podem ser usados anti-inflamatórios e hormônios como anticoncepcionais e DIU hormonal.

Cirurgia
A laparoscopia é a via cirúrgica mais comum, podendo remover todos os focos. “A cirurgia por via laparoscópica é indicada quando ocorre falha no tratamento clínico (paciente não apresenta melhora do quadro de dor) ou quando a endometriose acomete órgãos como intestino ou bexiga”, explica Kelly. Em alguns casos, a histerectomia (retirada do útero, trompas e ovários) também pode ser indicada. 
Somente o médico, juntamente com a paciente, poderá decidir qual o tratamento adequado para cada caso.

A endometriose não tem cura. A terapia hormonal e a laparoscopia podem aliviar os sintomas por vários anos. A histerectomia é a melhor possibilidade de cura, entretanto, a doença ainda pode voltar.

Convivendo com a endometriose
Para conviver bem com a endometriose, é necessário tratar os sintomas físicos e emocionais da doença. Kelly sublinha que a endometriose causa desgaste físico e emocional nas mulheres que são acometidas por esta doença. “Suas relações interpessoais e profissionais podem ser prejudicadas. Desta forma, muitas mulheres apresentam sintomas ansiosos e depressivos.”

Para amenizar os sintomas físicos e emocionais, elas devem ser estimuladas a praticar exercícios físicos, acupuntura e ter uma alimentação balanceada e equilibrada. Os sintomas emocionais podem ser mais intensos se a mulher deseja ter filhos. No entanto, a endometriose não impede que a mulher engravide. Após as primeiras semanas de gestação, pode ser necessário suplementar progesterona para evitar aborto espontâneo, mas a gravidez seguirá normalmente, com acompanhamento médico.

Fatores de risco
Algumas condições podem favorecer o aparecimento da endometriose. “São considerados fatores de risco para endometriose: menarca precoce, menopausa tardia, nuliparidade (nunca ter engravidado) e ciclos menstruais curtos. Menarca precoce: começar a menstruar muito cedo pode ser um fator de risco para o aparecimento da endometriose. 
Menopausa tardia: da mesma forma, entrar na menopausa tardiamente também pode favorecer a doença.

Nuliparidade: mulheres que nunca engravidaram têm maior chance de ter a doença.

Ciclos menstruais curtos: ciclos menstruais que duram poucos dias também é um fator de risco.

Complicações

As complicações mais comuns da endometriose são a infertilidade e o câncer de ovário. Contudo, outras complicações podem surgir. A paciente poderá apresentar, por exemplo, uma oclusão intestinal dependendo do tamanho da lesão que acomete o intestino, segundo Kelly.

• Infertilidade
• Câncer de ovário
• Dor pélvica crônica
• Cistos grandes na pélvis
• Obstruções no trato gastrointestinal ou urinário

Embora a endometriose não tenha cura, é possível alcançar resultados bastante satisfatórios com os tratamentos, podendo aliviar os sintomas de forma parcial ou até completa por vários anos. Por isso, procure sempre a orientação médica ao menor sinal que possa indicar a doença. Fonte: Dicas de Mulher*
 

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