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Campo Grande recebe a magia dos blocos afro neste sábado (10)

Escrito por: CN com Assessoria de Comunicação - Salvador - 10 de Fevereiro de 2018

Responsáveis por uma das revoluções no Carnaval de Salvador, os blocos afro levam para a avenida mais do que a mistura de cores e ritmos de inspiração africana. Eles concentram elementos definitivos para afirmação da arte, cultura e resistência negra originadas na cidade ao longo de cinco séculos. Agremiações como Ilê Aiyê, do Curuzu; Olodum e Filhos de Gandhy, do Pelourinho; Muzenza, da Liberdade; Malê Debalê, de Itapuã; e o caçula Cortejo Afro, do Conjunto Pirajá I, têm atuações que ultrapassam as fronteiras da folia, sendo importantes também para as comunidade de origem.

Neste sábado (10), ocorre um dos momentos mais esperados do Carnaval soteropolitano: a saída do Ilê, o Mais Belo dos Belos, do Terreiro Ilê Axé Jitolu, no Curuzu, de onde o bloco afro mais antigo do país inicia o desfile em direção ao Campo Grande e Avenida. Por volta das 22h, como manda a tradição, uma cerimônia religiosa em reverência aos orixás e de abertura de caminhos dá início à passagem da agremiação pelas ruas da Liberdade, esbanjando cores, movimentos e letras que exaltam o orgulho de ser negro até o Circuito Osmar (Campo Grande).

Esse ano, o Ilê tem como tema: "Mandela – A azania celebra o centenário do seu Madiba", em homenagem a Nelson Mandela. Essa é a segunda vez, em 44 anos, que o bloco homenageia Madiba, considerado o pai da nação africana. "Com certeza o Ilê vai brilhar ainda mais esse ano", aposta Vovô, presidente e fundador do bloco que reúne, aproximadamente, três mil associados.

O repertório, interpretado com maestria pelas vozes da Band'Aiyê, é um convite para seguir o Ilê em todo o percurso da festa. A primeira música do grupo, "Que bloco é esse", de Paulinho Camafeu, de 1974, é uma das mais esperadas.

Malê - Horas antes, o bloco Malê Debalê desfila no Circuito Osmar (Campo Grande), por volta das 19h30, com um tema que valoriza o respeito às mulheres. "Nzinga, Jokanas e Francisca: um poder feminista" tem como objetivo conscientizar a sociedade sobre o respeito ao gênero feminino, com exemplos de mulheres que vão desde a Rainha de Angola, Nzinga; às índias baianas representadas pelas Pataxós, Jokanas; e à mulher de Itapuã com uma figura icônica, D. Francisquinha.

Já o bloco Muzenza, que esse ano completa 38 carnavais, passa pelo Campo Grande por volta das 20h30, com o tema "A América dos ritmos africanos", que exalta a ligação entre os dois continentes. Cerca de 2.500 pessoas vão embelezar as ruas do Centro com diversas alas, como a das baianas.

"A atuação dessas entidades é superior ao período do Carnaval, pois é clara sua inserção na cultura da Bahia, a partir de meados da década de 1970, que transcende a festa, de forma a produzir efeitos diversos, seja na folia, na comunidade de onde são oriundos e na sociedade como um todo. A importância desses blocos vai além da beleza plástica e de suas músicas. Portanto, é importante que as esferas governamentais reconheçam isso e privilegiem o Carnaval dessas associações", comenta o professor e pesquisador Paulo Miguez, da Universidade Federal da Bahia (Ufba).

Apoio - Neste Carnaval, 39 entidades carnavalescas ligadas ao movimento afro serão apoiadas pela Prefeitura, por meio da Secretaria de Turismo e Cultura (Secult), com um aporte de R$ 1 milhão. As agremiações que receberam a maior parte do apoio financeiro foram Ilê Aiyê, Muzenza, Olodum, Filhos de Gandhy, Malê Debalê e Cortejo Afro.

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