Artigo

Raymundo Mônaco escreve sobre a diversidade cultural de Camaçari

Escrito por Raymundo Mônaco em 28 de Maio de 2019
[Raymundo Mônaco escreve sobre a diversidade cultural de Camaçari]

CRÔNICAS DA CIDADE

2019.87 – Ano VII

J.R. MÔNACO

Bacharel em Direito. Consultor Político. Testemunha Ocular da História.

“Um povo não pode viver sem memória, sem história. A vida sem história perde o sentido, perde a essência, perde o valor”.

                                                    Sandra Parente

 CAMAÇARI E A SUA DIVERSIDADE CULTURAL

O livro “HISTÓRIAS QUE NÃO CONTEI” da prezada escritora Sandra Parente editado em 2007, menciona trechos que referem-se à diversidade cultural de nossa terra, tema de interesse da sociedade e que obviamente merece considerações. O assunto embora bastante discutido, por certo, fascina e enriquece a nossa identidade cultural, uma vez que, os registros ali enfatizados nos coloca à frente de importante tarefa comparar reverenciando o passado e o presente.

Em síntese, Camaçari não tem valorizado a cultura como deveria valorizar. Obviamente, era preciso mais investimentos neste campo pouco aproveitado. A diversidade cultural tem se manifestado de forma pálida  não contemplando o desejo maior dos munícipes, resgatar a sua identidade cultural.

As diversas manifestações, ainda carentes de divulgação mostram segundo o vocabulário popular as dificuldades existentes no relacionamento entre os nossos ancestrais e a própria cultura.

O exemplo disso, é o pouco conhecimento que a população de Camaçari tem sobre a diversidade cultural inclusive sobre os recursos não utilizados pelos respectivos administradores públicos, a quem caberia ajudar na preservação de valores importantes em nossa vida.

REMEMORANDO

Voltar ao passado é levar em conta fatos condizentes com Camaçari que teve as suas origens em uma aldeia indígena, passando à categoria de fazenda, estação de veraneio, até alcançar o patamar de ser hoje uma das grandes cidades brasileiras.

As “Diversidades culturais” conotam aspectos das diversas culturas como a linguagem, tradições, culinária, religião, a política, entre outras características próprias de um grupo de seres habitantes de  determinada área  conduzindo por  várias  gerações.

O exercício da diversidade cultural em nosso rincão iniciou-se com o “Teatro”, manifestação educativa aplicada aos índios pelos jesuítas. Camaçari foi o primeiro lugar a encenar o teatro no Brasil. O desenvolvimento de Vila de Abrantes muito contribuiu para o crescimento cultural foi sede da resistência até tornar-se por um período capital do Brasil.

AS VELHAS TRADIÇÕES

Sem querer generalizar, hoje, a nossa cidade sente falta pelo desaparecimento das velhas tradições,  raramente se fala nos “Reisados ou Ternos de Reis” (homenagem aos Reis Magos), “Boi Janeiro de Parafuso”, folguedo de origem egípcia que espalhou-se pelo mundo trazido para o Brasil pelos portugueses. As celebres Micaretas ou Mi-carêmes, denominação dada aos Carnavais fora de época, “A Batucada de Waldomiro do Alto da Cruz”, os  “Candomblés de Geraldo, Ioiô e Zelito. Umbanda viva!

O  “Macule – lê”, dança de guerreiro, parte do nosso folclore”. O Grupo de Teatro da Casa da Criança e do Adolescente” com banda de percussão de onde saíram Deny da Timbalada e Renatinho de “É o Tchan”, Roda de Samba Guerreiros de Parafuso” inspirados na Cultura do samba do Recôncavo onde  predominava o som do pandeiro e da viola.

Dentre os grupos culturais destacou-se por muito tempo o Grupo de Teatro CA &BA criado em 1974 com a finalidade de desenvolver a cultura em Camaçari, “A Casa do SOL” da empresa Sol Embalagens deixou uma lacuna imensa ao ir embora de Camaçari, ajudava escolas e creches com atividades artísticas e culturais, apoio ao menor.

Lamentavelmente, o “Camafolia” foi extinto para tristeza da juventude, festa de grande porte considerada a abertura do Carnaval da Bahia, as quadrilhas juninas dos bairros desapareceram, o Teatro de Bonecos da saudosa Cilene Guedes, não teve mais apoio, a Capoeira do Mestre Petróleo pouco se tem ouvido falar.

Perdemos Eduardo Cavalcante Silva, poeta, romancista e escritor Presidente da Academia Castro Alves de Letras que nos deixou juntamente com um legado de obras como “Abrantes, Berço da Civilização Brasileira”,  “Nostalgia”, “Uma História de Amor”, “Homenagem às Mães” e “Anchieta, nosso Santo”. Relembrar Rodolfo Coelho Cavalcante, poeta, dedicado à literatura de Cordel. Vendia seus livretos nos trens de passageiros.

OS TEMPOS ATUAIS

Em contrapartida, Camaçari ainda desfruta de alguns espaços culturais significativos como a “Cidade do Saber” em plena atividade, o “Projeto Conviver” mantido para entretenimento de idosos acima de 60 anos, conveniado com a Prefeitura Municipal de Camaçari presta serviços à turma da prioridade.

 A “BAMUCA” fundada em 1972 pelo professor Sinésio tornou-se orgulho e paixão dos Camaçarienses; como é bom ver a BAMUCA passar, alegria de jovens e adultos, detentoras de vários títulos permanece  viva, seguida de outras Fanfarras. A “Casa do Trabalho” continua acolhendo as instituições empresárias e destaca-se pelo elenco de atividades que apoia.

A Filarmônica 28 de setembro (1988) mantém as suas atividades contribuindo para a formação de novos músicos e tem contribuído com as festas cívicas da cidade.

As lavagens dos padroeiros das localidades, algumas ainda sobrevivem restando com mais avidez a “Lavagem de Arembepe e Guarajuba”. A “Marujada” ou “Chegança dos Mouros” ainda persiste, pescadores vestidos de marujos cantam as durezas do mar. A “Roda de Capoeira” do Mestre Petróleo, pouco se tem ouvido falar. O 7 de janeiro festa dedicada a São Tomaz de Cantuária padroeiro de Camaçari, mantém a tradição religiosa, os encontros “Evangélicos” contribuem com a paz.

O Camaforró segura os festejos de São João numa bela festa com quadrilhas e shows artísticos. O evento “Festa do Coco” criado pelo ex-vereadores Naival Santana e Dr. Dema (2000), concentra veranistas e turistas, hoje transformada em “Feira do Pôr do Sol” espaço de vendas de trabalhos artesanais em Guarajuba e parte da Orla.

Este é o nosso Camaçari portador de uma diversidade cultural inestimável. A sua posição reúne cultura, história e a propriedade de possuir um pouco de tudo em um só lugar.

Alguém disse, inconteste, que o primeiro papel a ser exercitado por um órgão que coordena a cultura  visando o desenvolvimento dos habitantes de uma cidade consiste na inclusão social do seu povo, sem isso de nada adiantam secretarias exuberantes porque estarão condenadas à inoperância.

Infelizmente não nos foi possível de forma mais ampla e irrestrita falar tudo sobre a “Diversidade cultural” em Camaçari, principalmente no que tange ao futuro da cultura em nossa terra querida.

Um grande abraço e viva a cultura popular!

J.R. Mônaco                                                                                                                                    [email protected]

Compartilhe!