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Alergia a medicamentos: precisamos falar sobre isso

Escrito por Lucimara Bispo em 22 de Julho de 2019
[Alergia a medicamentos: precisamos falar sobre isso]

É muito comum as pessoas se queixarem de renite alérgica, alergia à comida e a produtos químicos de limpeza. Mas será que temos a real compreensão do que é um quadro de reação alérgica? Como nosso sistema imunológico trabalha para eliminar este “patógeno”? 

Desde nossa gestação, iniciamos o processo de formação do sistema imune, que consiste num reconhecimento de partículas que são próprias do nosso corpo, daquelas que não são próprias e devem ser destruídas, conhecidas como patógenos, esta é basicamente a função do sistema imunológico. 

O nosso sistema imunológico é composto por algumas substâncias proteicas responsáveis pelo reconhecimento e eliminação de qualquer substância que comprometa nossa saúde. As alergias são o resultado de um sistema imunológico hiperativo cujo trabalho é eliminar substâncias que não representam real ameaça ao corpo.  

A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), define reação alérgica à medicamento como “efeito adverso a um medicamento que tem um mecanismo de natureza imunológica”. Ou seja, a administração daquele fármaco ativa reações imunológicas, pois o sistema imunológico reconheceu aquela substância como um agressor. 

Dentro de um quadro alérgico, o corpo exprime esses sinais de forma bem característica, é comum o acometido por isso ter: urticária, angioedema, erupções cutâneas pruriginosas, asma, rinite, edema de glote e até repercussão sistêmica, com queda da pressão arterial, caracterizando o choque anafilático (ASBAI, 2019). 

Esses sinais e sintomas são instigados pela ação de mastócitos e basófilos (células de defesa), imunoglobulina E (anticorpo) e pela liberação da histamina, uma substância química vasodilatadora. Um quadro de hipersensibilidade a medicamento pode ser identificado após 30 ou 40 minutos de administração do fármaco.

A grande preocupação da comunidade médica reside na ocorrência de casos onde a reação é mais potente, nesses casos o risco de o paciente vir a óbito é mais rápido, pois a sua respiração fica comprometida com o fechamento da glote. Nestes casos, quanto mais rápido for aplicado o antialérgico, maiores as chances de sobrevivência do paciente. 

Os antialérgicos são fármacos produzidos à base de esteroides ou anti-histamínicos para diminuir a imunidade do doente. Possuem ação rápida e podem ser administrados por via oral ou intravenosa (caso o paciente seja atendido em uma unidade hospitalar). No Brasil, alguns fármacos desta natureza são facilmente encontrados nas farmácias e são vendidos sem necessidade de receita (este artigo não recomenda automedicação). 

Atualmente, há uma carência de pesquisa sobre hipersensibilidade a medicamentos, porém alguns artigos apontam que 30% da população brasileira sofra com algum tipo de alergia (ASBAI, 2019). Porém, existem testes alérgicos para detectar a sensibilidade do sistema imune a determinada substância, entretanto ainda não se sabe a causa concreta dessas reações exageradas. 

Em suma, é importante identificar e anotar à quais medicamentos a pessoa já teve reação alérgica, avisar a parentes e amigos, se possível deixar um lembrete na carteira de identidade, não fazer uso de medicamentos sem receitas e em caso de reação alérgica buscar um pronto socorro o quanto antes, pois a vida da pessoa está em jogo. 

Lucimara Pereira Bispo, é formada em Licenciatura em Ciências Biológicas pela UNIME.

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