Artigo

A vida hackeada

Escrito por Edvaldo Jr. em 23 de Outubro de 2019
[A vida hackeada]

A invenção do computador em meados do século XX, já representava uma grande novidade na vida social daquela época. Mais tarde os avanços tecnológicos possibilitaram a construção de uma poderosa e integrada rede de informação e comunicação que possibilitou uma maior agilidade nas relações comerciais, nas relações diplomáticas, possibilitando o desaparecimento de fronteiras e diluição de barreiras físicas ou imaginarias, o que permitiu a aproximação de mundos.

O mundo virtual como é conhecido estabeleceu regras próprias.  Comércio, moeda, e em muitos casos linguagem especifica, formas de fazer que dificilmente podem ser aplicadas em um espaço que não esse. A internet parece ter inaugurado um novo modelo de sociedade onde os acordos de convivências teoricamente não precisam de um rebuscado código de leis. Os conflitos são resolvidos de maneira a simplificar relações, exaurindo a necessidade de intermediadores, ou pacificador de conflitos. Na rede os desagrados são resolvidos em um click, com um só click as pessoas podem acolher ou excluir pessoas ou instituições sem que isso possa causar algum tipo de constrangimento em ambas as partes.

Só que a falta de uma regulamentação que observe as garantias fundamentais e os direitos individuais e coletivos, fez desse ambiente um terreno fértil para as agressões, linchamento público, desmoralização moral e da honra sem que “as pessoas pudessem perceber” o quanto tudo isso poderia ser nocivo para vida de alguém. Juntou-se a isso, a acesso ilegal as informações privadas dos usuários da rede mundial de computadores, a manipulação dos fatos, ou sua invenção, as fake News, como instrumento do processo democrático, sempre no objetivo de atender interesses corporativos e em alguns casos políticos. Ao que parece esse tipo de atuação tem influenciado robustas democracias pelo mundo, como a Estadunidense e a do Brasil.

A grande verdade é que a internet talvez seja a maior expressão do mundo globalizado, a possibilidade de integrar pessoas, economias e governos fez dela um elemento indispensável para a pós-modernidade. Porém fazer desse espaço um lugar civilizado vai exigir um esforço coletivo de governos e sociedades, a fim de estabelecer regras que dêem conta de garantir os direitos individuais e coletivos dos usuários, possibilitando um acesso mais seguro, afastando qualquer possibilidade de violação de direitos.                          

Edvaldo Jr. é Professor Historiador pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), pós-graduando em Direito Público Municipal pela Universidade Católica do Salvador (UCSAL).

Compartilhe!