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Camaçari: um ventre estéril para mulheres

Escrito por Déa Santos em 24 de Julho de 2020
[Camaçari: um ventre estéril para mulheres]

(Foto: Reprodução)

A nível mundial, o Brasil ocupa o 5° lugar no ranking de crimes praticados contra a mulher, uma prática que beira a naturalização da violência ou talvez uma espécie de releitura do que a filósofa  Hannah Arendt chamou de banalidade do mal. O termo fazia referência aos crimes praticados pelos nazistas contra judeus nos campos de concentração, a banalidade do mal seria uma incapacidade de reflexão de suas condutas contra seres humanos. O que esperar desse futuro?

Se tomarmos como base a cidade de Camaçari, alguns dados nos deixam no mínimo assustadas, mas nunca acovardadas. No ano de 2019, a Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia disponibilizou alguns dados de violência sexual, que atingiu a marca de 64 estupros. No primeiro trimestre de 2020 já são 25 casos registrados.

Um fato curioso é que, assim como eu meço o contrabando pela quantidade de peças apreendidas pela Polícia Federal, e não por aquelas que passam diariamente pela “ponte da amizade”, estou medindo essa violência com base nos dados disponibilizados pela Secretaria de Segurança Pública do Estado, ou seja, são registros de mulheres que foram à delegacia, certamente o resultado da totalidade é muito maior.

Esse menosprezo ao corpo físico se estende às vias invisíveis, onde a cidade vem reproduzindo o que eu chamo de “violência subliminar”. Essa estaria presente no espectro político e sobretudo nos governos. Camaçari é uma cidade majoritariamente formada por mulheres e sabe quantas vereadoras eleitas tivemos nas últimas eleições? Nenhuma. É necessário compreender que o poder da mudança não está nos cargos públicos ou nos governos, ele está na estrutura profunda da sociedade, o poder está nas mãos do povo.

Déa Santos é formada pela FAMEC em Administração e pós-graduada em      estratégia de negócios e pessoas pela UNIFACS.

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