Artigo

Reflexões sobre o suicídio

Escrito por Gisa Benevides em 06 de Setembro de 2020
[Reflexões sobre o suicídio ]

Outro dia me surpreendi em meio a uma indagação a qual considerei forte e intensa, quando uma conhecida me perguntou, “como de fato podemos evitar que alguém tire a própria vida?”. A pessoa em questão já havia tentado suicídio algumas vezes, e sabia bem para como alguém em meio a tanto sofrimento, a morte é cogitada como única alternativa para “pôr fim” ao sofrimento agudo que parece sem fim. Ela desabafava em tom crítico a respeito das (o que ela chamou de) “falácias” sobre o suicídio. 

Sem deixar transparecer eu me senti tocada e profundamente pensativa sobre a estruturação do suicídio e as efetivas estratégias de enfrentamento de uma dor de tamanha profundidade, subjetividade e quase sempre silenciosa. Pouco tempo depois me debrucei sobre o assunto, pesquisei e estudei artigos relacionados ao tema, a fim de obter mais informações e aprender o máximo possível sobre algo que talvez, só quem infelizmente vivenciou seria capaz de descrever.

Dentre os conceitos a respeito do tema pude concluir que o suicídio é um fenômeno amplamente complexo, multifatorial e de múltiplas determinações, razões e imensuráveis danos, que pode afetar indivíduos de diferentes origens, classes sociais, idades, orientações sexuais e identidades de gênero. De forma sorrateira e sussurrada os mecanismos que estruturam o suicídio, se instalam e como um vírus silencioso, que de maneira crônica destroem nossas defesas mentais/emocionais, tais como: autoestima, vigor, disposição, crença positiva sobre quem somos e no que acreditamos, deturpam nossa visão de mundo e nos fazem questionar a importância da vida e a própria existência.

Para algumas pessoas, em determinado momento da vida, pensar na morte como única saída para sanar um sofrimento insuportável talvez pareça a solução possível. Quando uma pessoa sente que chegou ao seu limite, de tal forma que se percebe em uma angústia profunda, em desespero, sem esperança e totalmente desolada e apática, sem saber o que fazer, ou como sair de tamanha dor, é compreensível que considere a morte como possível solução.

Mesmo sendo uma solução permanente a dor é tanta que viver com ela deixa de fazer sentido e talvez por isso, essa surge como a melhor opção de lidar com a situação naquele momento. Cabe ressaltar aqui, que não há a intenção de morrer, não se trata disso, mas de eliminar de uma vez por todas, uma dor que muitas vezes perpassa as dimensões subjetivas e física, algumas pessoas a chamam de “a dor da alma”.

Em meio ao sofrimento e aparente ausência de solução para a situação, o sujeito se vê enfraquecido e colapsado e seus sentidos e funções executivas/cognitivas parecem não dar conta e não apresentam respostas assertivas para a solução dos problemas, que parecem cada vez maiores.  É como se sentisse que está tudo perdido, sozinho (a) em uma rua sem saída e escura e todos os acessos às portas de saída deixassem de existir.

No entanto, o que parece uma total ausência de luz no fundo de um túnel tem solução, apesar de não parecer, o suicídio pode sim ser evitado, prevenido. Saber reconhecer os sinais de alerta em si mesmo ou em alguém próximo a você pode ser o primeiro e mais importante passo. Por isso, fique atento (a) se a pessoa demonstra comportamento suicida e procure ajudá-la.

Na presença de ideação suicida, é de suma importância que a pessoa busque ajuda de um profissional especializados e habilitados para oferecer o suporte adequado. Procure alguém em que confie, alguém com quem possa falar do que está pensando e sentindo de forma aberta, sem medo ou vergonha e que principalmente se permita ser ajudada. Apesar de ser muito difícil, falar sobre o suicídio é muito importante.

Lembre-se que o suicídio é uma ação permanente para um ou vários problemas que são em sua grande maioria temporários. Cabe ressaltar que o fato de não encontrar uma solução para determinado problema ou situação naquele momento, não significa que ela não exista, pois com toda certeza a solução virá em um momento ou outro e tudo ficará bem. 

A auto empatia, o auto acolher e o amor-próprio, apesar de parecerem clichês, ainda podem ser a melhor solução, sobretudo por agirem também de forma preventiva, especialmente quando praticados dia a dia. Lembre-se: a vida é o bem mais precioso e assumir o controle da sua vida de forma empática e saudável, significa aceitar o papel de protagonista e brilhar no palco da sua história de vida. 

Uma vez que o objetivo desse estudo foi responder uma peculiar indagação acerca de ações efetivas junto ao combate do suicídio, foi possível perceber que de fato não há uma receita pronta para superamos um momento difícil, a dor de uma perda, o medo ou a insegurança de um futuro muitas vezes incerto, a desesperança, a apatia, a desmotivação, a falta de forças, entre outros. Mas se há algo que pode ajudar, esse algo se chama “seguir sobretudo em frente”.

Você é mais forte que qualquer dor. Mantenha a fé na vida e em você e pratique a manutenção dos bons movimentos, físicos e mentais.

Dias ruins também passam.

Gisa Benevides
Psicóloga e Neuropsicóloga
CRP/03: 13524
Telefone/zap: (71) 9.9263-9987
Instagram: @Psicóloga Gisa Benevides
Facebook: Psicóloga Gislenny Benevides

Compartilhe!