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Jornalista escreve sobre possibilidade de tsunami na Bahia

Escrito por Luciano Bandeiras em 17 de Setembro de 2021
[Jornalista escreve sobre possibilidade de tsunami na Bahia]

(Foto: Reprodução)

Apesar das recentes notícias sobre a atividade vulcânica nas Ilhas Canárias, na costa do continente africano, o que colocou todos nós, baianos e brasileiros, em estado de alerta, já está mais do que provado pela ciência, que a possibilidade de uma onda gigante chegar ao nosso país é pequena.

Na história, existe o registro de um acontecimento desses aqui, após o terremoto e o tsunami varrer Lisboa, capital de Portugal, no dia 1 de novembro de 1755, ou seja, há 265 anos. A agitação do mar, criada pelo impacto do terremoto, chegou ao Brasil com ondas de 2 a 6 metros de altura. Essas ondas chegaram à cidade de Tamandaré a 130km de Recife, capital de Pernambuco, como contam cartas escritas por autoridades, políticos e moradores, enviadas a Portugal no século XVIII.

O tema inclusive, gerou um livro escrito pelo especialista no assunto José Alberto Veloso, com o título: Tremeu a Europa e o Brasil Também.

Desde a colonização, registros de pequenos tremores de terra no Nordeste e por todo país são feitos. Mas um evento natural, com capacidade destrutiva como um tsunami, idêntico ao que varreu Sumatra e Bornel, em 2014, ou causou o acidente da usina nuclear de Fukushima, no Japão, em 2011, nunca foi registrado do lado de cá.

E esse tsunami, será que chega aqui?

Em entrevista ao site G1, o coordenador do Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Aderson Nascimento, explica que nenhum alerta de tsunami, foi feito ao órgão.

“Essa chance é muito pequena de acontecer. A gente como órgão de sismologia, ninguém soube de nenhum alerta que foi emitido pelo serviço geológico espanhol ou algum órgão oficial dizendo que isso está acontecendo”.

Já o especialista em oceanos, procurado pela IstoÉ, Carlos Teixeira, professor da Universidade do Ceará (UFC), explicou que a preparação para um tsunami precisa ser feita com bastante antecedência para dar tempo de evacuar toda a população. “É alarmismo falar que vai acontecer amanhã, mas não é alarmismo a possibilidade da ocorrência. Um plano não fica pronto nem em quatro dias (tempo previsto para ocorrer erupção no nível de alerta 4) e nem em quatro meses”, alerta.

Segundo as informações, dos quatro níveis de alerta, o risco está no nível 2. E o oceanógrafo explica que:

“Se chegar ao nível 3, a gente tem que evacuar as áreas próximas ao vulcão. No nível 4, a erupção estaria próxima. No momento, não existe risco de tsunami no Brasil, mas é como a pandemia de coronavírus: dez anos atrás, houve um alerta de que aconteceria em algum momento. Não houve preparação e isso nos pegou de surpresa”, explica o cientista. “Nunca houve antes atividade vulcânica que nos alertasse, mas, hoje em dia, tem. Temos que começar a abrir os olhos”.

Existe a necessidade de o Brasil criar um plano de contingência para um desastre natural dessa magnitude. Fato esse que tem sido empurrado com a barriga desde a época do único tsunami que se tem registro na história do país.

O que traz novamente à tona o pensamento: e se acontecer aqui; o que será de nós?

Luciano Bandeiras
Jornalista, formado pela UniBahia no ano de 2010, MBA em Marketing e Branding pela UNIFACS e Especialista e Jornalismo Científico pelo Labjor Unicamp. Atua nas áreas de comunicação institucional, assessoria de comunicação e gestão estratégica de imagem, e divulgação pública de ciência. 
Colabora eventualmente com matérias para sites jornalísticos da RMS, Colunista na Sessão Mundo Ciência do site SC Notícias BA, é também gestor da Agência Digital Tapejara Comunicação e Marketing.

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