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29 de maio de 1558: a fundação de Camaçari por padres jesuítas

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29 de maio de 1558: a fundação de Camaçari por padres jesuítas

O Aldeamento do Espírito Santo foi estabelecido na localidade que hoje denominamos de Catu de Abrantes.

Por: Camaçari Notícias

Foto: Reprodução

O município de Camaçari foi fundado a partir da criação de um aldeamento indígena estabelecido pelos padres da Companhia de Jesus, João Gonçalves e Antônio Rodrigues, no dia 29 de maio de 1558, o aldeamento foi batizado com o nome do Espírito Santo em alusão ao Dia de Pentecostes, data em que é celebrada a descida do Espírito Santo.

O Aldeamento do Espírito Santo foi estabelecido na localidade que hoje denominamos de Catu de Abrantes, nas margens do Rio Joanes. É importante ressaltar que, a palavra “Catu”, significa, bom, predileto, ou seja, o melhor lugar.

A formação do território que hoje conhecemos como município de Camaçari se deu no início da colonização do Brasil no século XVI com a conquista das terras que pertenciam aos indígenas tupinambás. Os portugueses, após a dizimação das populações originárias ainda no século XVI, fundaram quatro aldeamentos indígenas no Recôncavo Norte e distribuiu algumas sesmarias.

Os aldeamentos indígenas que estão ligados à formação do território de Camaçari são os aldeamentos do Espírito Santo fundado em (1558), Santo Antônio Rembé em (1560), Santo Antônio da Ressaca da Barra do Jacuípe em (1560) e Bom Jesus de Tatuapara em (1561).

As terras que viriam a constituir o distrito-sede do município de Camaçari e o atual distrito de Abrantes, esta vetusta localidade que por séculos foi a sede administrativa da região, têm origem especificamente na doação de três datas de sesmarias.

A primeira data de sesmaria refere-se a três léguas de terras em quadra doadas aos indígenas do Aldeamento do Espírito Santo (Vila de Abrantes) em 7 de setembro de 1562, sendo este ato a primeira demarcação de terras indígenas no Brasil. Essa sesmaria correspondia a três léguas de terras em frente ao litoral, localizada ao norte do Rio Carassuípe ou seja, o Rio Joanes, que se estendia até as imediações do Aldeamento de Santo Antônio de Rembé (Arembepe). Suas três léguas de fundo alcançavam a margem esquerda do Rio Camaçari no território da tapera denominada pelos tupinambás de Camassary.

A segunda sesmaria refere-se a duas léguas de terras em quadra que foram concedidas pela junta governativa do Brasil à época administrada pelo provedor-mor da Fazenda Cristóvão de Barros, que cedeu essa gleba para os padres da Companhia de Jesus no dia 8 de maio de 1590. Esse lote de terras tinha início na foz do Rio Camaçari seguindo pela margem direita do mesmo rio até sua nascente, e da sua nascente seguindo até o Rio Joanes. E finalmente a terceira sesmaria se refere à doação de três léguas de terras em quadra pelo governador geral Tomé de Souza em 29 de abril de 1552 para D. Antônio de Ataíde, primeiro Conde da Castanheira.

Parte das terras doadas ao Conde da Castanheira foram aforadas aos padres da Companhia de Jesus em 6 de outubro de 1590. Essa sesmaria compreende as glebas situadas entre os rios Capivara Grande e Jacuí-Mirim, afluente do Rio Jacuípe, que em seu curso passa na fronteira entre os municípios de Dias D’Ávila e Mata de São João.

Com a expulsão dos jesuítas em 1759 e a desapropriação das terras que estavam arrendadas aos padres da Companhia, houve a comercialização dessas terras. Desde então, houve diversas articulações por colonos e posseiros para expropriação das terras dos indígenas da Vila de Abrantes o que veio a se concretizar no início do século XX.

Desde os primeiros anos do processo de colonização, o município de Camaçari tem sua história ligada à história do Brasil, tendo como ponto de partida a fundação dos referidos aldeamentos indígenas, e na concessão das primeiras datas de sesmarias no Recôncavo Norte da Bahia. Hoje, Camaçari celebra 466 anos de fundação e de resistência dos povos indígenas e afro-brasileiros que majoritariamente representa a sua população.

Diego de Jesus Copque – [email protected], é professor, historiador, pesquisador da história da Bahia, sócio efetivo do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e autor dos livros Do Joanes ao Jacuípe: uma história de muitas querelas, tensões e disputas locais e A presença do Recôncavo Norte da Bahia na consolidação da Independência do Brasil.

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